acordo UE-Mercosul | abr 2026 | 39 Depois de um período caracterizado por uma elevada instabilidade política e por desequilí- brios macroeconómicos que se refletiram numa extrema fragilidade financeira, cambial e picos inflacionistas no limite do suportável pelas fa- mílias argentinas, em 2025 a economia argenti- na registou uma recuperação sustentada. Nes- se ano as exportações cresceram 9,3 por cento em comparação com o ano anterior, a inflação diminuiu de 118 por cento em 2024 para 31,5 por cento em 2025. Para 2026 prevê-se um crescimento da econo- mia argentina de 3 por cento, associado à nor- malização do ciclo económico e à persistência de restrições estruturais, incluindo volatilidade cambial e limitações no investimento privado. A inflação tem vindo a desacelerar e a dívida pú- blica estimada para os próximos anos mantém- -se entre 75 por cento e 80 por cento do PIB. No terceiro trimestre de 2025 a Argentina atin- giu um recorde de exportações de bens em volume e uma variação face ao período homó- logo de 2024 de 12,9 por cento e de 23,2 por cento relativamente a 2022, segundo o Institu- to Nacional de Estatística e Censos da Argenti- na (INDEC). Este recorde ultrapassa em 5,1 por cento o record que tinha sido atingido em 2010. O comportamento das exportações de com- modities justificam este pico. Os produtos pri- mários cresceram 32,3 por cento e a quanti- dade de combustíveis e energia exportados aumentou 31,5 por cento. Em sentido contrário, os produtos manufaturados de origem agrope- cuária tiveram uma variação negativa (menos 6,4 por cento). As importações, por sua vez, aumentaram também substancialmente, 28,3 por cento no mesmo período, mas o preço médio do produto importado decresceu (menos 3,5 por cento). As contas públicas têm tendência e estabilizar. O Orçamento de Estado da Argentina, aprovado em dezembro, prevê uma desaceleração signifi- cativa da inflação para 10,1 por cento e um cres- cimento do PIB de cerca 5 por cento, que alguns analistas consideram demasiado elevado. Com uma força de trabalho com um nível de formação alto e uma abundância de recursos naturais, o país tem um potencial de cresci- mento bem suportado e apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (HDI) elevado (0,865 em 2023). Relação económica Portugal- Argentina deverá transformar- se nos próximos anos Quando um país evolui de uma forma disrup- tiva num curto período, é difícil aferir do pas- sado a evolução futura. Assim, é possível que a estrutura das trocas comerciais entre Portu- gal e a Argentina se altere profundamente nos próximos anos. Entre 2021 e 2024, a balança comercial de bens e serviços tem sido deficitária para Portugal em quase 138 milhões de euros. Os produtos mais exportados por Portugal são cortiça (26,8 por cento do total de vendas à Argentina), máquinas e equipamentos (25,2 por cento) e metais comuns (13,8 por cento). Em sentido inverso, Portugal importa sobre- tudo da Argentina produtos agrícolas (57,3 o cento das importações), nomeadamente se- mentes de girassol, bagaços de soja ou carne. Existem alguns setores que se destacam e que poderão trazer oportunidades de negócio interessantes para as empresas portuguesas, como é o caso da agroindústria, energia, au- tomóvel, tecnologia e serviços digitais, eco- nomia do conhecimento, infraestruturas, co- mércio eletrónico ou turismo. A economia Argentina está em profunda transformação e há vários fatores que te- rão impacto na sua evolução. Um deles é o Acordo Comercial e de Investimento Argen- tina-EUA, assinado em fevereiro de 2026 e celebrado como uma vitória do presidente ar- gentino, Javier Milei, e da sua proximidade ao presidente norte-americano, Donald Trump. O acordo visa reduzir barreiras tarifárias e não tarifárias, facilitar o comércio de bens e serviços, modernizar os procedimentos adua- neiros e promover investimentos em setores estratégicos como energia, materiais críticos, infraestrutura e tecnologia. Pg
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