48 ESG Portugalglobal nº175 Aquacultura sustentável: Um caminho para a transformação dos sistemas alimentares globais Em finais de 2022, a população mundial ultrapassou o marco dos oito mil milhões, estimando-se que em 2050 atinja os 9.700 milhões de pessoas. Este aumento populacional é fruto da industrialização e do desenvolvimento tecnológico, que permitiu o acesso mais generalizado à energia, alimentação e condições de saúde. Por outro lado, esta megatendência tem trazido mudanças sociais e ambientais, exigindo o aprofundamento da inovação tecnológica e social para ajudar a mitigar as consequências desafiantes dos impactos nos ecossistemas. A aquacultura sustentável terá um papel fundamental. POR ANDREA VALENTE E ISABEL MARQUES, GRUPO DE TRABALHO ESG DA AICEP Alimentar uma população humana cada vez mais numerosa é um dos maiores desafios das sociedades. O acesso aos alimentos é a necessidade mais basilar da existência humana, logo, garantir que todos podem ter acesso a uma alimentação equilibrada representa o objetivo mais premente. A Agenda do Desenvolvimento Sus- tentável (Agenda 2030), tem como objetivo alcançar a paz e prosperida- de para as pessoas e o planeta; aspira- ção que não pode ser alcançada sem o acesso generalizado à alimentação. Esta questão, para além de atravessar os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, tem a sua consagração no ODS 2 – Fome Zero: “acabar com a fome, alcançar a segurança alimen- tar e melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável”. O objetivo da segurança alimentar norteia as es- tratégias dos Estados e organizações internacionais focadas no desenvolvi- mento e na importância de uma segu- rança alimentar. O crescimento económico que pautou as últimas décadas da humanidade trouxe melhorias reconhecíveis nos sis- temas agroalimentares e na resposta à escassez alimentar. Contudo, esta evo- lução acarretou importantes nuances . Em primeiro lugar, os avanços na tec- nologia e inovação só permitiram dar resposta a uma parte das necessidades de uma população crescente. Há dispa- ridades socioeconómicas vincadas que apontam para diferenças em termos de segurança alimentar. De acordo com as Nações Unidas, apesar da produção alimentar atual ser suficiente para dar resposta às ne- cessidades do planeta, a fome e sub- nutrição continuam a aumentar em algumas partes do globo e o mundo continua a enfrentar crises alimenta- res em muitas regiões. Em segundo lugar, a forma como o sistema de
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