fevereiro 2024 ESG 27 Através de algoritmos e ferramen- tas de processamento de dados e machine learning , a IA tem vindo a permitir automatizar processos, tor- nando possível a gestão e análise de grandes volumes de informação ul- trapassando, assim, as limitações da atividade humana. O tratamento e análise de informação, obtido a par- tir do cruzamento de dados de múl- tiplas fontes, permite não só oferecer um overview sobre o posicionamen- to ESG das empresas, como contribui para mitigar greenwashing , ou seja, evita a divulgação de informações em que as empresas se apresentam mais ‘amigas’ de investimentos ESG do que são na realidade. Do potencial aos desafios da IA como ferramenta das empresas Apesar do enorme potencial e do apoio que a IA oferece às empresas no tratamento de dados e na identifica- ção e previsão de riscos (inclusivamen- te climáticos), existem múltiplas ques- tões associadas ao uso generalizado de IA. Desde logo, as preocupações com a veracidade e privacidade de da- dos podem levar à falta de confiança nos resultados da IA generativa. Por outro lado, uma das grandes preo- cupações com a IA diz respeito preci- samente à ‘desumanização’ da força de trabalho, ou seja, ao receio de que a IA e os processos de automação conduzam à substituição dos traba- lhadores, o que contraria a preocupa- ção com o ‘S’ do ESG. Porém, o salto quantitativo e qualitativo na análise dos dados protagonizado pela IA não significa que a análise humana tenha sido eliminada. O panorama interna- cional ESG é ainda caracterizado pela falta de dados e respetiva fiabilidade. Cerca de 90 por cento dos dados no mundo não estão ainda estruturados e, apesar da IA generativa ter um enorme potencial para dar sentido a todos estes dados inexplorados, o pa- pel do analista não será substituído num horizonte próximo. Simultaneamente, e apesar de ainda incipientes, estão hoje em desenvol- vimento estruturas de governação robustas que facilitarão a implemen- tação responsável e eficaz destas ferramentas nas empresas. Estas es- truturas são fundamentais para gerir os riscos associados às aplicações de IA, incluindo os large language mod- els (LLMs), os utilizadores das aplica- ções e as interações entre ambos. As empresas estão cada vez mais pres- sionadas para pensarem e desenvol- veram estratégias e regras internas de governance de IA, não só pela necessidade de produzir informação confiável, mas também porque esta matéria começa a estar fortemente regulada pelos governos. A IA como aceleradora do desenvolvimento sustentável e chave no combate às alterações climáticas A IA terá impacto na produtividade mundial, na igualdade e inclusão e nas transformações ambientais, tanto a curto como longo prazo. Estima-se que atue como facilitadora do cum- primento de quase 80 por cento das metas associadas aos ODS. Sendo o cumprimento da Agenda do Desen- volvimento Sustentável inseparável da ação das empresas, estas não pode- rão ser alheias ao papel da IA como ferramenta para a identificação e me- dição dos riscos e oportunidades que as transformações representam para a atividade empresarial. Se a implementação da IA tem sido acompanhada de alguma cautela em alguns setores, tem assumido uma tónica muito promissora no que diz respeito à sua aplicação ao ambien- te. Grandes investimentos (públicos e privados) têm-se focado na procura de soluções de IA para as alterações climáticas, nas suas múltiplas causas e manifestações. Exemplos destas so- luções baseadas em IA vão desde o desenvolvimento de sementes mais resistentes à seca; inovações para a reciclagem de lixo; sistemas de dete- ção e classificação de incêndios flores- tais para efeitos de resposta imediata e maior resiliência aos desastres cau- sados; monitorização da biodiversi- dade marinha e analítica oceanográ- fica avançada através de IA; análise geoespacial e monitorização remota de aquaculturas, o que permitirá re- novar a saúde piscícola e a segurança alimentar, entre muitos outros exem- plos revolucionários. Num contexto de necessidade de rede- finição das estratégias de negócio, é no cruzamento entre inovação e sustenta- bilidade que as empresas encontrarão as respostas para a sua competitivida- de e afirmação no mercado.
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