DESTAQUE PORTUGAL ESTÁ DE REGRESSO AO CLUBE DOS GRANDES PAÍSES DE PESCA >POR MANUEL PINTO DE ABREU, SECRETÁRIO DE ESTADO DO MAR O sector da pesca, incluindo o comércio e a indústria transformadora, representa um volume anual de negócios da ordem dos 1.200 milhões de euros e garante cerca de 25.000 empregos. O volume global de capturas mantém-se estável há cerca de 15 anos, em torno das 200.000 toneladas, cerca de 25 por cento das quais em águas de outros países. A qualidade do peixe português, reconhecido como “o melhor peixe do mundo” e, sobretudo a grande dinâmica na nossa indústria transformadora, levam a que Portugal seja um grande país exportador, com vendas anuais nos mercados externos que ultrapassam os 800 milhões de euros de peixe e produtos da pesca. Um fator determinante foi o forte aumento da eficiência/competitividade, como demonstra o facto de as capturas por embarcação, e por pescador, crescerem para o dobro em valor ao aumentarem de 21.000 euros para mais de 50.000 euros. Este contexto favorável fez com que a taxa de cobertura das importações pelas exportações tenha passado de 35 por cento, em 2005, para 55,4 por cento em 2014. Apesar disso, não deixámos de ser um país importador, com um défice da balança comercial de cerca 650 milhões de euros. A razão é conhecida: consumimos cerca de 57 quilos de peixe per capita por ano, que é o triplo da média dos países da UE, e somos o terceiro maior consumidor de peixe do mundo, logo a seguir ao Japão e à Islândia, com a agravante de o peixe preferido dos portugueses ser o bacalhau, agora muito dependente da importação. Face a esta realidade, a primeira questão que se coloca é: poderíamos pescar mais? Tanto os estudos sobre os nossos stocks de pesca, como a nossa história nos dizem que não. Os nossos recursos pesqueiros não são, infelizmente, tão vastos como a nossa zona de pesca, como se constata pela necessidade de os portugueses, desde o séc. XII, procurarem pesqueiros externos para garantirem o abastecimento do mercado interno. A integração europeia veio trazer novas regras e colocou a tónica na sustentabilidade dos recursos e na consequente adaptação do esforço de pesca o que, numa primeira fase, permitiu uma reconversão da frota. Como qualquer política comum, teve direitos e obrigações e, uma delas, foi a criação Portugalglobal // março 15 // 15
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