MERCADO Faz parte dos BRIC, os mercados que no início do século XXI melhores expectativas de crescimento evidenciam. Sendo um dos quatro grandes países emergentes (Brasil, China, Índia e Rússia), é também o mais promissor de todos para as nossas empresas. Para nós o Brasil foi sempre um mercado pouco conhecido, de dimensão algo assustadora e cheio de inseguranças e riscos. O maior fluxo de negócios deu-se em finais da década de 90, vindo a progredir desde essa data a um ritmo de 9 por cento em média ao ano. Mais do que os montantes envolvidos, o que exige a nossa atenção e nos surpreende é o número e o tipo de produtos que compõem o quadro das nossas exportações. Não sendo o Brasil o destino actual prioritário da emigração portuguesa, é digna de estudo a razão pela qual os principais produtos exportados sucessivamente nos últimos dez anos ser os vinhos, o azeite e o bacalhau – é mesmo o nosso principal mercado comprador destes dois últimos produtos. Suspeito que hoje em dia se come mais bacalhau no Brasil do que em Portugal. Mas é Portugal que exporta e isso é bom! Porque é que empresas e marcas nacionais de bens e serviços mais sofisticados não estão tão bem representados nas trocas comerciais como aqueles outros dois grupos de produtos? Por que razão só agora empresas de novas tecnologias de informação começam timidamente a aventurar-se no mercado brasileiro? Dada a dimensão e variedade das necessidades evidentes, o que leva a uma representação tão modesta da nossa indústria? empresas portuguesas tomam as decisões de internacionalizar. Não é ao Estado que competem estas decisões. Ao Estado compete, através das organizações representativas, no caso vertente a aicep Portugal Global, alertar e apoiar para o potencial do mercado que possa existir e facilitar a abordagem do mercado para que se produza da forma mais suave e previsível. E no Brasil existe um potencial enorme de mercado para as empresas portuguesas. Entre os BRIC, se a Rússia desperta interesse e admiração, a Índia apela para o descobridor que ainda existe em todos nós e a China nos mantém expectantes e admirativos, o Brasil seduz pelo assomo de grandeza, pela promessa, pela diversidade, pelo potencial de desenvolvimento que mais do que nunca se desenha perante o mundo. Os outros três estão fisicamente longe, são para a nossa cultura verdadeiramente exóticos e por essa razão mais difíceis de penetrar e de entender. E em nenhum se fala o nosso próprio idioma. A actual abastança do Brasil é um convite irrecusável para o Portugal europeu do início do século XXI. Na Europa já nós estamos e com os pés bem assentes: perto de 80 por cento das nossas exportações fazem-se com parceiros da Diversificar é preciso! Contudo, o Brasil importa da Europa cerca de 25 por cento do total das suas compras ao exterior e dessa parcela apenas uma ínfima parte provém de Portugal. E nenhum desses fornecedores europeus tem menos problemas, “A actual abastança do Brasil é um convite irrecusável para o Portugal europeu do início do século XXI.” menos ameaças e menos riscos do que as nossas congéneres. Pelo contrário, teoricamente a nossa capacidade para aceder ao mercado é marginalmente superior, por razões conhecidas. Faz falta um programa continuado de formação para os executivos que nas Museu Paulista - S. Paulo Portugalglobal // Junho 08 // 35
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