10 O IMPACTO DO COVID-19 Portugalglobal nº130 Os resultados apontam para variações significativas entre países. A tabela seguinte apresenta o resultado para alguns dos 30 países analisados: o dia D. O dia D vai existir. A crise vai terminar. E é importante que este tempo seja utilizado naquilo que conseguimos controlar. Deixo aqui algu- CRESCIMENTO DO PIB EM 2020 NO CENÁRIO 2 (3 MESES) E CENÁRIO 3 (4.5 MESES): Alemanha Brasil China Espanha Estados Unidos França India Portugal Suíça Cenário 2 -7,4% -5,3% -1,9% -7,5% -5,0% -6,6% -0,2% -8,8% -7,2% Cenário 3 -11,9% -8,8% -5,8% -12,1% -8,5% -10,6% -3,8% -14,0% -11,8% Mesmo países como a Índia e China, que normalmente registam crescimentos superiores a 6-7 por cento, irão entrar em recessão em 2020. As estimativas acima mostram que Portugal (com maior peso do setor turismo que Espanha, Itália ou França, por exemplo) esteja entre os mais afetados. Se as medidas contenção do vírus se prolongarem até meados de junho de 2020, Portugal registará uma contração do PIB de 8,8 por cento. Já se as medidas se prolongarem até ao final de julho, a recessão da economia será de menos14 por cento. Em média, cada mês adicional de crise custa cerca de 2,5 por cento do nosso PIB. Dito de outra forma: cada dia adicional provoca uma destruição do PIB de 250 milhões de euros. O que eu posso fazer? Gostava de terminar com uma nota pessoal. O que pode o leitor fazer. De facto, grande parte da envolvente internacional, foge ao controlo do leitor. No entanto, existem muitas coisas que os gestores e empresários podem fazer no dia-a-dia, para preparar para mas sugestões, que estão ao alcance de todos nós: • Revisitar o modelo de negócio. O modelo de negócio vai ser diferente para muitas empresas. O que exige transformações internas dentro da empresa. • Fazer novos contactos, ou retomar contactos antigos, nunca foi tao fácil como hoje. As nossas contrapartes internacionais estão como nós, fechados em casa. • Repensar e reestruturar a nossa cadeia de valor. O trade-off entre eficiência e resiliência ficou bem patente nesta crise. E aqui também existem oportunidades para empresas portuguesas. Possivelmente, iremos continuar a ver na Europa uma tendência para a reindustrializaçao. Várias multinacionais estão a repensar as suas cadeias de valor, e pode ser a altura de reavivar contactos antigos, ou tentar reavivar antigos RFP/pedidos de proposta. Também a continuação das tensões EUA/China pode ser benéfico para Portugal, dado que podemos ser nós a substituir as importações que os EUA deixam de fazer da China. Se esta crise durar até ao fim do verão, a economia mundial enfrenta a maior ameaça dos últimos dois séculos. Mas a profundidade e a duração da recessão dependem do sucesso das medidas adotadas para impedir a disseminação do COVID-19, dos efeitos das políticas para aliviar os problemas de liquidez nas empresas, e para apoiar as famílias com dificuldades financeiras. Também depende de como as empresas reagem e se preparam para o reinício das atividades económicas. Estamos numa crise onde a palavra velocidade é muitíssimo visível. Vão ser as empresas ágeis e com capacidade de mudança que irão capturar as oportunidades no novo mundo pós-COVID. Nota final Caro leitor, vivemos tempos diferentes, em que resultados rápidos são relevantes, e podem ajudar-nos em várias frentes. Tenho neste momento em curso um inquérito a empresas globais sobre o impacto da atual crise. Se lhe for possível responder, ficaria muito agradecido. Todos os resultados serão partilhados, de forma anónima e agregada assim que disponíveis. http://surveys.iese.edu/RespWeb/ Cuestionarios.aspx?EID=1174639 ou http://tiny.cc/xpleoz Desde já muito obrigado! *NUNO FERNANDES é Professor Catedrático de Finanças no IESE Business School, em Espanha, Presidente do Conselho de Auditoria do Banco de Portugal e Membro do Comité de Auditoria do Banco Europeu de Investimentos (BEI). 1 Estudo e Link: Economic Effects of Coronavirus Outbreak (COVID-19) on the World Economy
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